Por PRAIAGRANDENEWS — Uma reportagem do jornal O Globo revelou que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pretende usar a nova e robusta maioria conservadora no Congresso Nacional para "mudar a Constituição" e "redemocratizar o país". A declaração, feita durante um ato em Goiânia que oficializou o apoio do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), gerou um alarme imediato no sistema político e nos bastidores da campanha, que precisou se mobilizar para conter a repercussão negativa.
Segundo a apuração do O Globo, a fala de Flávio ocorreu no palanque ao lado de Caiado, quando o candidato do PL exaltou a nova composição do Legislativo. "O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara. Para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar esse país. Para as instituições voltarem a respeitar a Constituição", declarou Flávio, sem detalhar quais mudanças pretendia fazer.
O Alarme e a Tentativa de Contenção
A reportagem do O Globo destacou que a declaração gerou "temor de uma nova tentativa de golpe", especialmente porque Flávio é filho de Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por planejar um golpe de Estado. Diante disso, aliados do candidato se apressaram a procurar interlocutores para dizer que ele "não pretende implementar nenhuma iniciativa golpista", mas que se referia a medidas já previstas em seu plano de governo, como a reforma do Judiciário, a redução da maioridade penal e o fim da reeleição.
A Matemática no Congresso e o Avanço sobre o Centrão
A reportagem do O Globo também detalhou os números que embasam a estratégia de Flávio. O PL, partido do candidato, elegeu as maiores bancadas em ambas as Casas: 121 deputados na Câmara (contra 99 atualmente) e 28 senadores (quase o dobro dos 15 atuais). Com a provável aliança com o Novo, de Romeu Zema, o bloco na Câmara pode chegar a 131 deputados.
Para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), são necessários 308 votos na Câmara e 49 votos no Senado. O O Globo aponta que Flávio precisaria conquistar cerca de 75% das bancadas de grandes partidos de centro e do Centrão — ou 177 votos — para alcançar o quórum necessário.
O "Efeito Manada" e o Recado ao Centrão
O O Globo revelou que a campanha de Flávio aposta em um "efeito manada" de lideranças do Centrão que ficaram neutras no primeiro turno. O foco é buscar a adesão de Caiado, Zema e do escritor Augusto Cury, que juntos obtiveram mais de 6,3 milhões de votos.
O recado ao Centrão na fala de Flávio foi direto: o PL terá força para eleger os próximos presidentes da Câmara e do Senado, o que é um chamariz para partidos como União Brasil, PP, Republicanos, PSD e MDB. No entanto, o O Globo já havia revelado em julho que o "Fator STF" tem aumentado a resistência do Centrão em se aliar formalmente a Flávio, por medo de retaliação da Corte.
A Repercussão em Outros Veículos
A informação do O Globo foi rapidamente replicada por diversos veículos de imprensa, que destacaram diferentes aspectos da declaração:
Revista Fórum e Opera Mundi: Enfatizaram o tom de "recado ao Centrão" na fala de Flávio e a promessa de "redemocratizar" o país.
Diário do Centro do Mundo: Deu destaque ao alerta feito na GloboNews pela jornalista Flávia Oliveira, que classificou a proposta como "perigosa" e questionou o uso da palavra "redemocratização" diante do histórico da família Bolsonaro.
O Povo, EM e RTP (Portugal): Repercutiram a declaração e os números das bancadas do PL, reforçando que Flávio não detalhou quais mudanças pretendia fazer no texto constitucional.
Estadão e CNN Brasil: Destacaram que Flávio voltou a criticar o STF durante o discurso e que apoiadores gritaram "Fora, [Alexandre de] Moraes".