POR PRAIAGRANDENEWS — Uma reportagem exclusiva do jornal O Globo revelou um fenômeno eleitoral curioso e com potencial para alterar o resultado da disputa pelo governo do Rio de Janeiro. Um levantamento inédito, baseado nos Registros Digitais de Voto (RDVs) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apontou que 204.309 eleitores digitaram o número "13" na urna ao votar para governador no primeiro turno, anulando seus votos sem saber.
O dado é notável porque o Partido dos Trabalhadores (PT), dono da legenda "13", não lançou candidato próprio ao governo fluminense. O partido apoiou a candidatura de Eduardo Paes (PSD), que concorreu com o número 55. A confusão do eleitorado, portanto, transformou um número tradicionalmente associado ao PT em um dos maiores responsáveis pela invalidação de votos no estado.
O Impacto na Disputa
A relevância desses votos anulados vai além da estatística. Douglas Ruas (PL) terminou o primeiro turno com 49,27% dos votos válidos, contra 42,76% de Paes. A situação se tornou ainda mais complexa com a desistência de Anthony Garotinho (Republicanos) de recorrer contra o indeferimento de sua candidatura. Garotinho havia recebido cerca de 274 mil votos, que, se anulados definitivamente, elevariam a porcentagem de Ruas para 50,88%, garantindo-lhe uma vitória em primeiro turno.
Nesse cenário, os 204 mil votos "13" ganham peso decisivo. Se tivessem sido destinados a Paes, a participação de Ruas cairia para 49,67%, mesmo com a anulação dos votos de Garotinho, forçando um segundo turno. Para impedir a vitória de Ruas no primeiro turno, bastaria que 72% dos eleitores que digitaram "13" (cerca de 147 mil pessoas) tivessem a intenção de votar em Paes.
Repercussão e Ações Judiciais
A informação, inicialmente restrita a assinantes do O Globo, foi rapidamente replicada por diversos veículos de imprensa. O Diário do Rio destacou o volume como "suficiente para manter Douglas Ruas abaixo de 50%", enquanto o Diário do Centro do Mundo e a Revista Fórum detalharam os cálculos que poderiam levar a um segundo turno. A CNN Brasil também noticiou o dado, reforçando que os registros não permitem saber a intenção real do eleitor.
A repercussão tomou proporções jurídicas. A campanha de Eduardo Paes entrou com uma ação na Justiça Eleitoral pedindo a apreensão de panfletos que associavam indevidamente sua imagem aos números "13" e "22". A coligação alega que o material poderia induzir o eleitor a erro, justamente por causa da confusão gerada pelo número do PT.
O Globo foi o primeiro a revelar o número exato e a contextualizar sua importância para o xadrez eleitoral no Rio, informação que se tornou central nas discussões sobre a estratégia política e a confusão do eleitorado no estado.
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